| Lar doce lar... relato |
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| Escrito por Charles Richet |
| Ter, 15 de Setembro de 2009 14:00 |
Ao escrever essas palavras, sentado, ainda sinto um pouco o desgaste das pernas e o braço machucado ao longo dos treinos em Mar Del Plata, Argentina, e São Paulo com Seki shihan, além do treino que ministrei e fiz junto com os alunos do sensei Diego Brasich, de Buenos Aires, um dia depois do término do seminário na Argentina. Seki shihan é o ex-diretor técnico do Hombu Dojo, dojo central em Tóquio, local onde estagiei por um mês e meio em 2007. Recordo das inúmeras correções feitas, orientações e outras interações com os praticantes lá presentes. Seki shihan é um mestre impressionante, além das classes que ministra, ele continua a treinar regularmente, aos 59 anos de idade. Muitos praticantes, principalmente os mais jovens, fizeram muito esforço para emular, no sentido de copiar, tudo o que aquele mestre passava. Compreender vem com tempo, e para quem está engatinhando ainda nesta lida, copiar é o início do processo de aprendizagem em BUDO. Muitos fazem questão de compreender primeiro para depois fazer, talvez por influência de um processo cartesiano, mas o processo oriental é diferente, reproduz-se o mestre até o estágio aonde há o alcance da compreensão, porém isso só acontece quando há confiança, e isso em nosso hemisfério, ocidental, país, Brasil e cidade, Brasília, me parecem algo desconhecido: confiança. Vamos deixar para analisar a palavra “confiança” em um artigo posterior. Voltando aos seminários; a experiência de ter treinado com os “hermanos” foi muito enriquecedora. Ao contrário do que se pensa muito no Brasil, os Argentinos admiram e nos respeitam muito, claro, tendo Maradona como o melhor do mundo, natural e compreensível! O carinho e atenção de todos por lá me deixou encantado. Novellino sensei, 6º Dan, aluno de Kawai shihan e responsável por esse grupo lá é um mestre muito afável, porém de etiqueta e modos extremamente polidos, coisas pouco valorizadas por nossa sociedade. Os únicos brasileiros por lá eram eu e Leonardo sensei. Muito aproveitamos devido ao menor número de praticantes. Uma coisa eu estranhei muito, havia pouquíssimas mulheres praticando, alguns praticantes de lá me disseram que artes marciais não têm muito apelo a mulheres por elas pensarem que podem se masculinizar através da prática. Já minha esposa me deu outra explicação: os Argentinos conseguem ser mais machistas que os Brasileiros. Bem, se o número de mulheres praticando artes marciais mede o volume de nosso machismo o Brasil pode considerar-se um país pouco machista. Em São Paulo a situação era outra, apesar de um número reduzido de praticantes, devido ao alarde da gripe suína, havia muitas mulheres, como eu nunca havia percebido antes. E dessas mulheres, havia muitas faixas pretas. Havia crianças também e muitos outros praticantes em idade avançada. Isso me deixou muito contente pois o trabalho de nosso mestre, Kawai shihan, confirma-se como um trabalho a serviço das forças evolutivas, ajudando muitos a crescerem no caminho do desenvolvimento pessoal e coletivo. Creio que Seki sensei também estava muito contente pois ao final do seminário ele afirmou que já esperava pelo seminário de 2010. Eu também, e espero que em 2010 eu consiga ao menos um aluno meu para fazer-me companhia, pois na hora de ir embora, lá estava eu sozinho indo a Congonhas para voltar a minha amada cidade Brasília!!! |
| Última atualização ( Sex, 18 de Setembro de 2009 18:10 ) |


