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Inicial Artigos Observando a razão... reflexão
Observando a razão... reflexão PDF Imprimir E-mail
Escrito por Charles Richet   
Qua, 25 de Novembro de 2009 13:39

Observei em um treino nesta semana a frustração de uma aluna durante o treinamento com sua amiga. O caso era o seguinte: uma delas é bem receptiva aos conceitos de AIKI, é flexível e está obtendo bons resultados na prática de ukemi. Sua colega também é receptiva aos conceitos de AIKI, porém tem medo de fazer quedas e tem o corpo com notável grau de inflexibilidade. A aluna rígida derruba sua colega sem maiores dificuldades. Já a aluna flexível tem dificuldades de derrubar sua colega. Neste dia ficou visível sua frustração ao não conseguir aplicar a técnica em sua colega. Nesse horário específico só há as duas praticando, portanto não há variação de companheiros para praticar e isso além de não ser bom, prejudica o treino e o desenvolvimento pois não dá oportunidades ao praticante de lidar com diferentes pessoas.

Em BUDO/AIKIDO há algo chamado “fazer ukemi”. No contexto do AIKIDO isso significa, por estágios: 1 – atacar sinceramente, com velocidade e força variável, mas sempre com intenção de acertar; 2 – após concluir o ataque, receber a defesa/resposta alheia com o próprio corpo de maneira a possibilitar ao parceiro a prática da técnica a ser executada; 3 – manter antes, durante e depois uma postura de exímia atenção e prontidão.

Esse conceito é muito diferente de algumas outras artes marciais na suas formas mais competitivas, porém é encontrada tanto no Judo, Karatedo, Kendo e Koryu. Não há outra maneira de aprender AIKIDO de maneira segura. Nem antigamente, nos tempos medievais do Japão o aprendizado e prática de muitos bujustu eram de maneira bruta. Um exemplo demonstra isso muito bem: um soldado é uma arma, e como instrumento de defesa e ataque ele tem valor, os custos de manutenção e treinamento. A perda de um bom soldado, por lesão, antes de uma batalha era e é prejuízo, portanto o treinamento precisa assegurar certo nível de segurança sem comprometer o objetivo fim: aplicação de técnicas marciais em “x” ou “y” conceitos.

Talvez o surgimento das competições, karatedo, judo, kendo e outras artes de diferentes nacionalidades, trouxeram uma perspectiva alheia aos conceitos originais tanto do Koryu, artes clássicas de combate, como dos Gendai Budo, artes modernas que usam as vias marciais com objetivo de aprimoramento interior. Em AIKIDO este aspecto não existe. O AIKIDO tem os dois pés, corpo e alma no aspecto transcendente, usando uma disciplina marcial, ciência exotérica e cultura para alcançar objetivos metafísicos. Segurar seu colega de treino e ficar duro como uma pedra, não demonstra que alguém é mais forte, demonstra apenas inabilidade. A resistência em AIKIDO/BUDO é inteligente e dinâmica, pois aprender a ceder é fundamental ao desenvolvimento nesta arte. AIKIDO não é um balé de coreografias vazias. O treino correto pode ser feito em diferentes dinâmicas, força, velocidade e agressividade principalmente, mas procura oferecer a todos uma maneira de treinar uma arte marcial com o objetivo de refinamento espiritual. Mas não é muito isso que as massas querem!

 

Última atualização ( Qua, 23 de Junho de 2010 15:29 )